segunda-feira, 12 de março de 2012

Mestre Vitalino


Em 1909, nasce Vitalino Pereira dos Santos, na pequena vila de Ribeira dos Santos, próximo a Caruaru, (PE). Criado em ambiente oleiro, cedo começa a modelar boizinhos, louças em miniatura e outros brinquedos, para serem vendidos na feira local. Dotado de forte senso estético, produz obras que, na maturidade, atraem a atenção de críticos e colecionadores de arte. Em 1947, por iniciativa do pintor Augusto Rodrigues, de quem torna-se amigo, tem algumas esculturas expostas no Rio de Janeiro, com sucesso. Esta exposição é hoje considerada um marco na história do interesse pela arte popular, não só por revelar ao grande público a obra de Vitalino, como também por chamar a atenção sobre a existência desse gênero de criação em diferentes regiões do país.

É reconhecido como Mestre por sua virtuose e pela liderança que exerceu entre os ceramistas do Alto do Moura. Entre 1960 e a data de sua morte, em 1963, viajou por todo o Brasil, participando de exposições e mostrando sua técnica. Apesar de ter se tornado famoso, faleceu aos 53 anos, muito pobre, vítima de doença contagiosa. Sua memória continuou a ser cultivada depois da morte, não só pelo público em geral como pela família e os amigos, muitos dos quais ajudou a formar. Seus filhos – Amaro, Manuel, Severino, Antônio (falecido) e Mariquinha – seguiram-no na profissão. Mestre Vitalino criou uma narrativa visual expressiva sobre a vida no campo e nas vilas do nordeste pernambucano. Realizou esculturas antológicas, como "o enterro na rede"; "cavalo marinho"; "casal no boi" e muitas outras, de poética irretocável.

sábado, 10 de março de 2012

Cobranças

O que voce já sabe



Gonzaguinha sempre foi um cantador de emoções, não como todos os cantores, ele tinha a pegada intimista, falava de coisas que doíam bem dentro, naquele lugar que é impossível apontar.

"Diga lá meu coração que ela está dentrode voce e bem guardada; e que é preciso, mais que nunca, prosseguir""

Quem mais diria em poucas palavras o que se passa num coração?

Enquanto não nasce outro Gonzaguinha, vamos carpindo as dores e sorrindo ao mundo, tentando colocar em palavras o que é pura emoção.

As palavras se falseiam, os sentimentos são como fraturas expostas, a espera de uma cura.

Construção



Quero ignorado, e calmo
Por ignorado, e próprio
Por calmo, encher meus dias
De não querer mais deles.
Aos que a riqueza toca
O ouro irrita a pele.
Aos que a fama bafeja
Embacia-se a vida.
Aos que a felicidade
É sol, virá a noite.
Mas ao que nada espera
Tudo que vem é grato.


(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 7 de março de 2012

Comedores de batata - Van Gogh

Uma reunião de trabalhadores em torno de uma mesa, para a degustação de batatas. Terminado em 1885, o quadro "Os comedores de batatas", de Vicent Van Gogh, pertence à primeira fase da pintura do artista, sob influência do realismo.

A obra resume um período em que o pintor dedicava-se a retratar a vida dos camponeses e tecelões.

Na época, o pintor vivia em Nuenen, pequena cidade holandesa, com a família. Ali, criou mais de 250 deseenhos. Como a maioria dos pintores realistas, ele tratou sobre a miséria. Mostrava nas obras as desilusões da gente humilde.

Em uma carta ao irmão Théo, o artista comenta sobre a motivação para a criação de "Os comedores de batatas": "Apliquei-me conscientemente em dar a idéia de que estas pessoas que, sob o candeeiro, comem suas batatas com as mãos, que levam ao prato, também lavraram a terra, e meu quadro exalta, portanto, o trabalho manual e o alimento que eles próprios ganharam tão honestamente".

Para conferir realismo à obra, Van Gogh destacou traços grosseiros aos trabalhadores da terra. Explorou os tons escuros, da luminosidade barroca.

A obra foi a primeira pintura do artista a ser composta por um grupo de personagens. E ele fez alguns versos sobre esse mesmo tema, mudando algumas características e cores.

Para Vincent Van Gogh, a escuridão também poderia ser considerada uma cor. Os trabalhos desta primeira fase são escuros e pesados.

O artista trabalhou as sombras com azuis que, junto ao interior pouco iluminado pelo lampião, dão um aspecto frio ao ambiente.

Essas características mudariam completamente quando o artista se muda para Paris, no mesmo ano.


(Folha da Região)