Exatamente assim. Pesada, sufocada. Ando com uma vontade tão grande de
receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções.
Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na
madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros ...
quero parar de me doar e começar a receber.
Sabe, eu acho que não sei fechar ciclos, colocar pontos finais. Comigo
são sempre virgulas, aspas, reticências... eu vou gostando... eu vou
cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu
vou relevando, eu vou... e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar
páginas, sem colocar pontos... e vou... dando muito de mim, e aceitando
o pouquinho que os outros tem para me dar.
Caio Fernando Abreu
domingo, 29 de abril de 2012
sábado, 28 de abril de 2012
Relógio de Areia
Existe sempre alguma coisa ausente.
Acho que a gente tem que vencer. Ou lutar. E ficar bem. Feliz. Criar. Fazer. Se mexer.
Vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, e sem nenhuma importância, algumas.
eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você.
Um café e um amor. Quentes, por favor.
Coragem, às vezes, é desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. (...) É aceitar doer inteiro até florir de novo.
Não era possível evitar por mais tempo uma onda que crescia, barrando todos os outros gestos e todos os outros pensamentos.
A verdade é que ainda hesito em dar um nome àquilo que ficou, depois de tudo. Porque alguma coisa ficou.
Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol.
Sinto uma falta absurda de você. Ficou um vazio que ninguém preenche. E penso e repenso e trepenso em você aí… Tá tudo bem assim.
Caio Fernando Abreu
O que voce veio fazer aqui
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Soneto do amigo
Vinícius
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Quase
QUASE
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta
cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é
instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque,
que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e
acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que
planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre
esteja vivo, quem quase vive já morreu.(Sarah Westphal)
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Assédio Moral 1: O que é isso?
O que é assédio moral?
Assédio moral ou violência moral no trabalho não é um fenômeno novo. Pode-se dizer que ele é tão antigo quanto o trabalho.
A novidade reside na intensificação, gravidade,
amplitude e banalização do fenômeno e na abordagem que tenta estabelecer
o nexo-causal com a organização do trabalho e tratá-lo como não
inerente ao trabalho. A reflexão e o debate sobre o tema são recentes no
Brasil, tendo ganhado força após a divulgação da pesquisa brasileira
realizada por Dra. Margarida Barreto. Tema da sua dissertação de
Mestrado em Psicologia Social, foi defendida em 22 de maio de 2000 na
PUC/ SP, sob o título "Uma jornada de humilhações".
A primeira matéria sobre a pesquisa brasileira saiu na
Folha de São Paulo, no dia 25 de novembro de 2000, na coluna de Mônica
Bérgamo. Desde então o tema tem tido presença constante nos jornais,
revistas, rádio e televisão, em todo país. O assunto vem sendo discutido
amplamente pela sociedade, em particular no movimento sindical e no
âmbito do legislativo.
Em agosto do mesmo ano, foi publicado no Brasil o livro
de Marie France Hirigoyen "Harcèlement Moral: la violence perverse au
quotidien". O livro foi traduzido pela Editora Bertrand Brasil, com o
título Assédio moral: a violência perversa no cotidiano.
Atualmente existem mais de 80 projetos de lei em
diferentes municípios do país. Vários projetos já foram aprovados e,
entre eles, destacamos: São Paulo, Natal, Guarulhos, Iracemápolis,
Bauru, Jaboticabal, Cascavel, Sidrolândia, Reserva do Iguaçu, Guararema,
Campinas, entre outros. No âmbito estadual, o Rio de Janeiro, que,
desde maio de 2002, condena esta prática. Existem projetos em tramitação
nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraná, Bahia,
entre outros. No âmbito federal, há propostas de alteração do Código
Penal e outros projetos de lei.
O que é humilhação?
Conceito: É um sentimento
de ser ofendido/a, menosprezado/a, rebaixado/a, inferiorizado/a,
submetido/a, vexado/a, constrangido/a e ultrajado/a pelo outro/a. É
sentir-se um ninguém, sem valor, inútil. Magoado/a, revoltado/a,
perturbado/a, mortificado/a, traído/a, envergonhado/a, indignado/a e com
raiva. A humilhação causa dor, tristeza e sofrimento.
E o que é assédio moral no trabalho?
É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas
durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo
mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que
predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração,
de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s),
desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a
organização, forçando-o a desistir do emprego.
Caracteriza-se pela degradação deliberada das condições de trabalho
em que prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação a
seus subordinados, constituindo uma experiência subjetiva que acarreta
prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização. A
vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser
hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada e
desacreditada diante dos pares. Estes, por medo do desemprego e a
vergonha de serem também humilhados associado ao estímulo constante à
competitividade, rompem os laços afetivos com a vítima e,
freqüentemente, reproduzem e reatualizam ações e atos do agressor no
ambiente de trabalho, instaurando o ’pacto da tolerância e do silêncio’ no coletivo, enquanto a vitima vai gradativamente se desestabilizando e fragilizando, ’perdendo’ sua auto-estima.
Em resumo: um ato isolado de humilhação não é assédio moral. Este, pressupõe:
- repetição sistemática
- intencionalidade (forçar o outro a abrir mão do emprego)
- direcionalidade (uma pessoa do grupo é escolhida como bode expiatório)
- temporalidade (durante a jornada, por dias e meses)
- degradação deliberada das condições de trabalho
Entretanto, quer seja um ato ou a repetição deste ato,
devemos combater firmemente por constituir uma violência psicológica,
causando danos à saúde física e mental, não somente daquele que é
excluído, mas de todo o coletivo que testemunha esses atos.
(Fonte:http://www.assediomoral.org/spip.php?article1)
sexta-feira, 20 de abril de 2012
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Os seis dias de Sampa
Viaduto Santa Efigênia
"Alguma coisa acontece no meu coração..." Pois foi exatamente na famosa esquina da Ipiranga com a São João, onde de um lado existe um bar-lanchonete e de outro o famoso "Brahma", que eu tomava meus lanches noturnos, leitão com queijo e molho, delicioso, a dois passos do hotel em que me hospedei. Atendimento de primeiríssima.
Arcos do mosteiro de São Bento
Andei mais pelo centro velho da cidade, terceira em grandeza no mundo, ela mesma um mundo à parte, e por misterioso que possa soar, também uma cidade eclética, onde os povos se misturam e se harmonizam numa amálgama digna da proverbial diversidade étnica dos brasileiros.
O Mercado Municipal, que nada fica a dever ao meu Ver-o-Peso, à não ser historicamente, tem uma variedade de aromas e sabores fantásticos. Lá degustei com prazer um pastel de camarão delicioso; o mezanino superior fornece uma visão privilegiada do mercado. Foi deste ponto que foi feita a foto ao lado. Da próxima vez, pretendo me dedicar mais aos sabores que o Mercadão nos oferece.
Que linda a Estação da Luz! Percorrendo suas larguras, cumprimento sem modéstia a Grand Central Station americana; subitamente um século de chegadas e partidas passam diante de meus olhos; quantas chegadas alegres, quantas partidas...!
Arte no Metrô - Painel na Estação República
| EU |
Tudo Dendalei!
Agradeço à Manuh pela diagramação, escolha de fotos e descrição das paisagens.
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