sábado, 24 de março de 2012

Vadião "Dendalei"

"Eu aprendi tudo que sei nos sete dias de transas do Rei"

Saudades da BR - Beira do Rio - da Universidade Federal do Pará!



Os forrós das sextas feiras, no Vadião; os amigos, as partidas de xadrez relâmpago, as minas, os caras, o papo todo sempre em dia. E eu e muitos com livros nas mãos, canetas nos bolsos e muito mais coisas, até na cabeça...

Ou não! rss

Vento morno esfriando. O caramanchão, a capela universitária, o leblon.

Essa música em especial, dentre tantos forrós do Gonzagão, me remetem àquela época de ouro.

Serve de homenagem à Chico Anísio.



sexta-feira, 23 de março de 2012

Por não estarem distraídos

Por Não estarem distraídos 
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Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
(Clarice Lispector)

terça-feira, 20 de março de 2012

Sobre Amyr Klink

"Pior que não terminar uma viagem é nunca partir."



"Não espero socorro de Deus. Deus não existe para ficar tirando a gente de apuros. É para dividir prazeres e alegrias."







" Passados dois meses de tantas histórias, comecei a pensar no sentido da solidão. Um estado interior que não depende da distância...nem do isolamento; um vazio que invade as pessoas... E que a simples companhia ou presença humana não pode preencher. Solidão foi a única coisa que eu não senti, depois que parti...nunca...em momento algum. Estava, sim, atacado de uma voraz saudade. De tudo e de todos, de coisas e de pessoas que há muito tempo não via. Mas a saudade às vezes faz bem ao coração. Valoriza os sentimentos, acende as esperanças e apaga as distâncias. Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudade...mas não estará só!"
 
Amyr Klink ficou conhecido pelas suas expedições marítimas, que empreende geralmente de forma solitária. O primeiro feito a ser amplamente divulgado ocorreu entre 10 de junho a 19 de setembro de 1984, quando realizou a travessia solitária, num barco a remo, do oceano Atlântico. Foi um percurso de sete mil quilômetros entre Luderitz, na Namíbia (África) e Salvador, na Bahia, percorrido sozinho.
Em dezembro de 1989, viajou rumo à Antártida, em um veleiro especialmente construído para a expedição, o Paratii. Permaneceu sozinho por um ano na região, sendo que por sete meses, seu barco ficou preso no gelo da Baía de Dorian. Da Antártica, rumou em direção ao Pólo Norte e retornou ao ponto de partida, a cidade de Paraty, em outubro de 1991.
A partir de então passou a planejar uma viagem de circunavegação da Terra.
Mora em Paraty (RJ), onde mantém uma escola de navegação para jovens carentes. Além de escrever livros, faz palestras sobre planejamento e empreendedorismo no meio empresarial.





domingo, 18 de março de 2012

Xadrez

"Os peões são a alma do xadrez" - Philidor





O primeiro torneio moderno de xadrez ocorreu em Londres em 1851. O campeão foi o alemão Adolf Anderssen, relativamente desconhecido à época, sendo aclamado como o melhor enxadrista do mundo. O seu estilo enérgico e brilhante, tornou-se muito popular, sendo imitado pelos outros praticantes. Suas partidas repletas de sacrifícios, tais como a Imortal ou a Sempreviva, foram consideradas como as mais altas realizações da arte enxadrística. A Imortal é citada por alguns autores como a mais famosa partida da história do enxadrismo.

O Dia Internacional do Enxadrismo é comemorado todos os anos no dia 19 de novembro, data de nascimento do cubano José Raúl Capablanca, considerado um dos maiores enxadristas de todos os tempos e o único hispano-americano a se sagrar campeão mundial.

"Pode chegar a parecer cômico, porém lhes asseguro que, para mim, o Peão passado tem alma e, como todo homem possui aspirações que dormem dentro dele, em forma desconhecida para si, e temores cuja existência apenas suspeita." -
 Aaron Nimzowitsch- Grande Mestre Internacional

sexta-feira, 16 de março de 2012

Paul Simon & Art Garfunkel ...Mrs. Robinson, notável!

25 séculos de Sun Tsu

Esta estratégia ideal pela qual se pode vencer sem lutar, realizar o máximo fazendo o mínimo, comporta a marca característica do Taoísmo, a antiga tradição de conhecimento que deu, na China, suporte tanto às artes terapêuticas como às artes marciais. O Tao-Te King, ou O Livro do Caminho Perfeito, estende à sociedade a mesma estratégia que Sun Tzu atribui aos guerreiros dos tempos primevos: Planeja o difícil enquanto ainda é fácil, faz o que é grande enquanto ainda é pequeno. As coisas mais difíceis devem ser feitas enquanto ainda são fáceis, as maiores, enquanto ainda são pequenas. Por isso, o sábio nunca faz o que é grande, e é por este motivo que sempre alcança a grandeza.


Escrita há mais de dois mil anos, durante um longo período de convulsões sociais, A Arte da Guerra brotou das mesmas condições sociais que deram origem a alguns dos clássicos mais importantes do humanismo chinês, incluindo-se o Tão Te King. Tratando a questão do conflito através de um modo mais racional que emocional, Sun Tzu mostrou que a compreensão do conflito pode levar tanto à sua solução como à decisão de evitá-lo completamente.

Ao longo dos séculos, muitos estudiosos se deram conta da importância do pensamento taoísta em A Arte da Guerra: tanto as obras filosóficas como as políticas do cânon taoísta atestam seu reconhecimento pelo clássico da estratégia. O nível de reconhecimento representado pelos pontos culminantes de A Arte da Guerra — o nível da invencibilidade e o da doutrina do não-conflito — é uma expressão do que o saber taoísta chama de "conhecimento profundo e ação resoluta".

Leia o livro na íntegra aqui:
http://casesdesucesso.files.wordpress.com/2008/03/suntzu.pdf

quinta-feira, 15 de março de 2012

Gago Coutinho & Sacadura Cabral

A épica viagem iniciou-se em Lisboa, às 16:30h de 30 de março de 1922, empregando um hidroavião monomotor Fairey F III-D MkII, especialmente concebido para a viagem, equipado com motor Rolls-Royce e batizado Lusitânia. Sacadura Cabral exercia as funções de piloto e Gago Coutinho as de navegador. Este último havia criado, e empregaria durante a viagem, um horizonte artificial adaptado a um sextante, a fim de medir a altura dos astros, invenção que revolucionou a navegação aérea à época.
A primeira etapa da viagem foi concluída, no mesmo dia, sem incidentes em Las Palmas, nas Ilhas Canárias, embora tenha sido notado, por ambos, um excessivo consumo de combustível.



No dia 5 de abril, partiram rumo à Ilha de São Vicente, no Arquipélago de Cabo Verde, cobrindo 850 milhas. Lá se demoraram até 17 de abril para reparos no hidroavião - que fazia água nos flutuadores -, tendo partido das águas do porto da Praia, na Ilha de Santiago, rumo ao Arquipélago de São Pedro e São Paulo, em águas brasileiras, onde amararam, sem o auxílio do vento, no dia 18. O mar revolto naquele ponto, entretanto, causou danos ao Lusitânia, que perdeu um dos flutuadores. Os aeronautas foram recolhidos por um Cruzador da Marinha Portuguesa, que os conduziu a Fernando de Noronha. Apesar de exaustos pelo voo de 1.700 quilômetros e pelo pouso acidentado, comemoraram o achamento, com precisão, daqueles rochedos em pleno Atlântico Sul, apenas com o recurso do método de navegação astronômica criado por Gago Coutinho.

Com a opinião pública portuguesa e brasileira envolvida no feito, o Governo Português enviou outro hidroavião Fairey, batizado como Pátria, a partir de Fernando de Noronha, pelo navio brasileiro Bagé, que chegou no dia 6 de maio. Tendo o hidroavião sido desembarcado, montado e revisado, a 11 de maio decolaram de Noronha. Entretanto, nova fatalidade acometeu os aeronautas, quando, tendo retornado e sobrevoando o arquipélago de São Pedro e São Paulo para reiniciar o trecho interrompido, uma pane no motor obrigou-os a amarar de emergência, tendo permanecido nove horas como náufragos, até serem resgatados por um cargueiro inglês - o Paris City, em trânsito na região.

Reconduzidos a Fernando de Noronha, aguardaram até 5 de junho, quando lhes foi enviado um novo Fairey F III-D (o n.° 17), batizado pela esposa do então Presidente do Brasil, Epitácio Pessoa (1919-1922), como Santa Cruz. Transportado de Portugal pelo navio Carvalho Araújo foi posto na água do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, tendo levantado voo rumo a Recife, fazendo escalas em Salvador, Porto Seguro, Vitória e dali para o Rio de Janeiro, então Capital Federal, onde, a 15 de junho de 1922 pousou em frente à Ilha das Enxadas, nas águas da baía de Guanabara.

Aclamados entusiasticamente como heróis em todas as cidades brasileiras onde amerisaram, os aeronautas haviam concluído com êxito não apenas a primeira travessia do Atlântico Sul, mas pela primeira vez na História da Aviação, tinha-se viajado sobre o Oceano Atlântico apenas com o auxílio da navegação astronômica a partir do aeroplano.

Embora a viagem tenha consumido setenta e nove dias dias, o tempo de voo foi de apenas sessenta e duas horas e vinte e seis minutos, tendo percorrido um total de 8.383 quilômetros. A viagem serviu de inspiração para os raides posteriores de Sarmento de Beires, João Ribeiro de Barros e de Charles Lindbergh, todas em 1927.