Lev Yashin: o homem que revolucionou a posição de goleiro
O russo mudou o conceito de que o goleiro deveria ficar parado
debaixo das traves aguardando o arremate do atacante. Na década de 1950,
o jogador deixou de se restringir à pequena área e passou a se portar
virtualmente como um líbero, o que possibilitou cortar cruzamentos
altos, defender bolas nos pés dos atacantes e bloquear os ângulos antes
da finalização.
Yashin costumava dizer que antes de partidas de grande importância, a
receita de suas atuações mitológicas era, antes de entrar em campo,
fumar um cigarro para acalmar os nervos e beber uma dose de vodka para
tonificar os músculos. E, de acordo com os registros históricos, a
receita deu muito certo, já detém números impressionantes em sua
carreira: ao todo foram 812 jogos na carreira, sendo 326 pelo Dínamo de
Moscou e 78 pela seleção da URSS; inacreditáveis 150 pênaltis defendidos
e 270 partidas sem levar um único gol.
Pela seleção soviética participou de quatro Copas do Mundo (1958,
1962, 1966 e 1970). Na última, já com 40 anos, ficou no banco de
reservas e não jogou. Mas ele foi o grande responsável pela conquista da
melhor colocação da União Soviética na história: um quarto lugar em
1966. Quando se despediu da seleção nacional, foram necessários 12 anos
para que o país conseguisse disputar novamente um Mundial. E Lev Yashin é
até hoje o único goleiro a receber a Bola de Ouro, prestigiada
premiação da France Football que elege o melhor jogador da Europa, em
1963.
Por
sua contribuição ao esporte, o russo detém diversos títulos e
homenagens. Em seu jogo de despedida, em 1971, a FIFA o presenteou com
uma medalha de ouro especial. Em eleição realizada pela entidade máxima
do futebol, Lev Yashin foi escolhido o melhor goleiro do século 20. Foi
eleito, também, como o melhor jogador russo dos 50 anos da UEFA. E para
se ter uma ideia da importância desse homem para a Rússia, o goleiro foi
condecorado com a medalha de Lênin, maior tributo a um cidadão
soviético por serviços prestados ao seu país. Apenas Yuri Gagarin (1º
homem a ir para o espaço) e Vasily Zaitsev (herói da batalha de
Stalingrado) receberam essa mesma honra.
Em frente ao estádio do Dínamo de Moscou, o maior da Rússia, há um
monumento em sua homenagem e em seu túmulo uma escultura estilizada.
Nada mais justo para um homem que em plena Guerra Fria, caracterizada
pela corrida espacial, conseguiu provar, através de seus saltos para
realizar defesas, que o homem também pode voar.
(Templo da Bola)
Nenhum comentário:
Postar um comentário